sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CORRUPÇÃO E PARTIDOS POLÍTICOS

"O fato de não possuirmos partidos que defendam programas claros e contem com a fidelidade de seus membros fragiliza todo o processo político brasileiro, fazendo com que os representantes eleitos tenham poucos vínculos com suas bases eleitorais e com seus companheiros de partido. Cada um acaba agindo como se seu mandato fosse uma dádiva pessoal, e isso é um fator que torna a corrupção de indivíduos possível e mais fácil, embora não possamos dizer que as coalizões sejam responsáveis exclusivas pelos desmandos da administração ou dos eleitos. Em seu artigo, o sr. defende uma "reforma da legislação que contemple o conjunto das forças políticas, e não apenas os agentes do Estado".
         
                 Este parece ser o problema da corrupção, que os partidos políticos sejam fracos, sem ideologia. Isso dá margem a que os de fora do estado e os agentes do estado assim como os própios políticos cometam corrupção e façam eles mesmos casuímos legais normativos além de abuso de poder para manterem o status quo.


        " O grande problema da corrupção hoje é que, se tomarmos como referência apenas os agentes de Estado, uma parte importante dos envolvidos e dos mecanismos de operação dos corruptos ficará de fora da análise. Assim, o primeiro passo é partir de uma compreensão mais ampla do que seja a corrupção no Brasil. Essa abordagem nos mostrará que os laços entre agentes do Estado, interesses privados e mesmo o interesse de grupos criminosos constituem um solo bem mais complexo e amplo para o desenvolvimento da corrupção do que o âmbito das forças governamentais. Nesse sentido, uma reforma deve levar em consideração, por exemplo, não apenas os partidos políticos e suas fragilidades intrínsecas, mas também a maneira como são financiados e o que os financiadores esperam em troca de suas doações. A transparência das contas de campanha é um primeiro passo, mas não podemos aceitar que caixa-dois seja parte da vida política brasileira e não um crime contra a democracia. Ora, esses mecanismos, mais ou menos aceitos como parte de nossa cultura política, são um terreno extremamente favorável à prática de outros ilícitos."



                   iiiiiii   Pois é, mas o que permite isso é a política mesma organizada, os partidos fracos.  O PT , o psdb, o dem, o pmdb e alguns outros tem suas características ideológicas sendo que apenas o PT as tem claras e assumidas. Os outros partidos aceitam e compactuam com a corrupção, não tem ideologia clara, definida, e tem a tradição (são tradicionais, da tradição brasileira) de compactuar com o jeitinho pra se conseguuir as coisas, com o paternalismo, com a condescendência e o privilégio. Se se faz esta crítica te ameaçam com a dureza da lei , da violência e do poder. Velha estratégia brasileira, de país atrasado. E tentam te cooptar, enredar, leva-lo para o mesmo jogo, te comprometer. É uma postura conservadora e autoritária como é o caso no Brasil.  Quem quer se dar bem.....
              Mas tb acho que não termos tido eleições diretas em seguida à ditadura miliotar, esta transição que não termina nunca, dá margem a esse quadro político e partidário brasileiro. Não tem jeito de se fazer reforma política porque tudo é adiado pra depois, protelado. Estamos submetidos a isso. Há aqueles que pensam que é isso mesmo, que é melhor deixar assim mesmo; muda-se algo aqui e ali, aos pouquinhos e aos pedaços, tentando, fazendo tentativas pra ver se muda alguma coisa - pra acabar com a corrupção.
                Ficaremos no impasse ou se mudará algo?


[leitura e análise de uma entrevista sobre corrupção de 2007 - no Livreacesso.net]


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